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Escrito por: Eduardo Costa outubro 18, 2012



Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Livro: “Fios de Prata – Reconstruindo Sandman”
Autor: Raphael Draccon
Editora: Leya
Páginas: 352
Classificação: ★★★★ (4,5/5)


Salve-salve, galera! Tudo bem?

Primeiro, permita-me me apresentar: eu sou o Sonho. Ops, livro errado... rsrs. Brincadeira: me chamo Eduardo Costa, e (até que me expulsem) sou o novo integrante da equipe do “Stealing Books”! Não sou lá muito bom com apresentações, então acho que não tenho muito para falar, mas vou tentar.
Tenho 21 anos, sou arte educador, formado em História, e morador do Rio de Janeiro (minha querida cidade). Entrei para a turma do blog com algumas propostas meio loucas, outras ambiciosas, mas todas para melhorar o blog (em breve, site) ainda mais para você, querido leitor =D
Uma das minhas propostas (quase eleitoral... rsrs) para o Stealing Books foi ampliação do nosso acervo. Significa, dentre outras coisas, que vou trazer para vocês muito do meu mundinho nerd, especialmente no que tange aos quadrinhos e ao cinema. Sou absolutamente apaixonado por Histórias em Quadrinhos (HQs), que inclusive me arrisco a produzir e a estudar academicamente, e com o crescimento do mercado editorial brasileiro, já não dá mais para ignorá-los, pois eles vieram para ficar (felizmente), bem como vemos a crescente onda de superproduções cinematográficas, e outras nem tão “super”, que merecem nossa atenção. 
Mas, enfim, estou aqui, a disposição de vocês, galera, de peito aberto. Meu contato é eduardocosta.cultura@yahoo.com.br e podem me contatar sempre que quiserem ou puderem. Comentem também minhas postagens, pois eu tenho uma escrita meio acadêmica, um tanto diferente das que se vê nos outros blogs literários, então posso demorar um pouco a “me encontrar”. Logo, é com o feedback de vocês que saberei onde melhorar, então conto com vocês, hein ;D
E para abrir com chave de ouro minha estreia por aqui, apresento abaixo a resenha de um livro incrível: “Fios de Prata: Redescobrindo Sandman”, de Raphael Draccon.
Enjoy!



“Fios de Prata: Redescobrindo Sandman” é, sem dúvida, um livro especial. Mais do que qualquer outra qualidade a ser apresentada sobre a obra, a mais importante é sua temática: o sonho, e numa concepção que vai muito além das nossas noites de sono. De uma narrativa fácil, fluída e gostosa, mas sem deixar de trazer o “peso” necessário à densa trama que se desenrola, o livro é um raro exemplar de qualidade e competência da literatura fantástica brasileira, na qual fiquei muito surpreso e contente!

O livro já se apresenta fugindo de estereótipos. Seus protagonistas não são “pessoas comuns”, que de súbito se tornam “pessoas especiais”: são dois dos atletas brasileiros mais importantes do mundo! O protagonista, Mickael (ou “Allejo”) é o verdadeiro herói, no mesmo perfil traçado por Joseph Campbell em seus livros sobre mitologia e a sua “jornada do herói”. A trama se desenrola bem com os dois personagens principais, Allejo e Ariana, apesar de achar o seu romance – um dos pilares da obra - um pouco corrido demais. Algumas outras coisas também me incomodaram um pouco (e que não posso revelar por serem spoilers). As reviravoltas do meio para o final do livro também são muito boas, mas, em algum momento, já soam meio cansativas (algumas, até, dispensáveis). No entanto, nada que prejudique a obra em seu todo.

A linguagem utilizada por Draccon na obra também é outro diferencial. Não é tão simples, como segue a “nova onda” da literatura fantástica (visando um público mais jovem), mas também não é nada rebuscada. Pelo contrário: é clara, mas dotada de um subjetivismo lírico que dá um toque a mais de qualidade do texto, que já é muito bom.  Claro que toda essa escrita poética serviu, e muito bem, para constituir mais ricamente o universo onírico do Sonhar.

O livro também conta com recursos gráficos e narrativos bastante interessantes. Conforme a trama se desenvolve e sua complexidade aumenta, o autor opta por utilizar de flashbacks, onde em frases curtas citadas em momentos-chave te fazem lembrar fatos cruciais do contexto da obra. A utilização de caixa alta, itálicos e negritos para enfatizar certas frases, onomatopeias e como caracterização de alguns personagens também é muito legal. Mesmo a estética da página é utilizada por Draccon para enriquecer a obra, demonstrando sua propriedade no manejo de tais recursos para a construção de uma incrível narrativa.

E por falar em construção de um universo, é impossível não ressaltar a qualidade da pesquisa realizada por Draccon. Durante a leitura percebe-se um minucioso trabalho sobre mitologias, filosofias, arquétipos, religiões, e tudo mais. Não só que tange aos aspectos sociais de diversos povos e culturas, mas também no que se referente à própria lógica que rege seu mundo onírico. Está tudo lá: de “A Divina Comédia”, de Dante, até “Sandman”, de Neil Gaiman, passando por outras obras, como “O Senhor dos Anéis” de Tolkien, “A Odisseia” de Homero, “Paraíso Perdido” de John Milton, entre outras.  Acredite: até o mundo midiático está muito bem retratado lá, através de notícias e acontecimentos verídicos, que o autor usa (brilhantemente) de alimento para a consolidação de sua história, dando um realismo quase tenso a certas partes... rsrs.

 Atrevo-me a dizer que não só filosofias, culturas e aspectos sociológicos foram levantados para a criação da trama, mas também se bebeu bastante do universo esotérico e espiritualista. No entanto, isso é só mais um aspecto positivo: serviu para enriquecer ainda mais a trama e o universo criado para ela. Além dessas, o autor faz também um ótimo trabalho, utilizando de várias referências da “cultura pop/nerd” durante toda a obra, (que me deixaram muito contente, admito... rsrs). Desde uma discussão sobre o porquê de O Senhor dos Anéis – O retorno do Rei ser um filme cansativo, até comparações com o vilão Mumm-Rá (de Thundercats) e a séries aclamadas, como The Walking Dead. Ótimas sacadas que valeram boas risadas e justas homenagens por parte do autor.

No entanto, o mais interessante de tudo isso é como Draccon dá uma nova roupagem a toda essa “bagagem”. Ele não tenta construir um novo universo fantástico a partir de arquétipos e outras figuras mitológicas, mas constrói seu próprio universo, fazendo releituras e dando novas roupagens às referências de diversos mundos e universos (especialmente os atrelados à cultura nerd!). É justamente aí que entra o elemento “fantástico” de sua obra, e também o  que a torna tão especial. A ambição, o amor e os sonhos – componentes fundamentais do fantástico - lá estão.

Esta é uma resenha lúcida. Nunca tivera antes contato com a obra de Draccon, mas admito que o cara ganhou mais um leitor. Fiquei surpreso em perceber o quão bem escrita, “amarrada” e envolvente era a história. Como disse lá no começo, um livro exemplar de literatura fantástica, e que representa muito bem o que há de melhor na área, em termos de produção literária brasileira. O Brasil, os nerds de plantão (like me) e os aficionados em fantasia agradecem, Draccon. Recomendadíssimo.

{ 10 comentários ... leia abaixo ou comente }

  1. *u* hqs
    nao sabe a minha reação quando li que ia ter quadrinhos e hqs aqui
    *--* babei horrores
    eu amo mano, nao vejo a hora de ler uma postagem assim.

    nossa adoro histórias sem pontas soltas, bem amarrada na medida do possivel
    amei a resenha
    se eu já queria ler esse livro, agora quero mais.

    gostei muito da resenha

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    1. Obrigado, Alice!

      E pode contar que as HQs serão presença constante "na casa" a partir de agora ;D

      Beijão!

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  2. Hummm pelo que eu li de sua resenha,
    eu não sei se irei gostar..
    Ainda mais depois de ter citado O Senhor dos Anéis..
    Este eu passo..


    Amiga, ta sumida!! Apareça
    Já votou na enquete?
    Já viu o layout novo? hehehe
    Pássa lá...
    Beijos
    http://www.dailyofbooks.blogspot.com.br/

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    1. Oi Camila! Tudo bem?

      A obra de Tolkien e "O Senhor dos Anéis" é citado na obra como mera referência. O que Draccon pode ter herdado de Tolkien foi só o "ar" fantástico da narrativa, mas da mesma forma que bebe em outras fontes, como o Harry Potter de Rowling, os Mitos de Cthulhu de H.P. Lovecraft, entre outros. Vale a pena arriscar, viu? ;D

      Beijão.

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  3. Hey Eduardo, seja bem vindo haha
    Adorei a resenha.
    Não sei porquê, mas sempre quando leio sobre esse livro acho que minha prima vai gostar. Ela gosta desse estilo.

    Óbvio que o autor deve ter as 'inspirações' mas para saber se foram bem utilizadas, só lendo xD

    Nana - Obsession Valley

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  4. Citou Senhor dos Anéis, quero comprar, rsrsrs. Excelente resenha, cara!

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  5. Oie,
    Não conhecia o livro, mas gostie bastante :)
    Melhoras para a sua mãe :)

    adorei

    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  6. Oi Eduardo!
    Em primeiro lugar, adoro suas resenhas! São excelentes, você é um dos melhores que conheço. Tenho curiosidade pelo livro mais por causa da capa. Afinal, é linda *---*
    Eu amo quando um livro vai pro lado filosófico e espiritual da coisa. Dá um toque melhor para a história. Aliás, aí não vira só uma história, é um dialética de via leitor-personagens, o que é muito interessante.

    Beijos,
    nathlambert.blogspot.com

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    Respostas
    1. Oi Nath!
      Ah, fico muito feliz em saber que você gosta! Obrigado mesmo.

      Sim, o livro é ótimo, e trás uma linda mensagem por trás de toda a fantasia. Vale mesmo a pena. E como você disse, termina construindo uma dialética entre o leitor e a obra incrível.

      Beijão, linda!

      Edu.

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