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[RESENHA] A Companhia Negra
Por: Fabi
Clássico da literatura fantástica
americana, "A Companhia Negra" foi publicado originalmente na década
de 1980. "A Companhia Negra" é um grupo de mercenários com uma
história que remonta a séculos. Numa tentativa de reviver o passado de glórias,
ela se une ao exército da Dama, uma feiticeira de poder inigualável que acordou
de um sono de eras para reconquistar tudo que perdeu. A Companhia se vê
envolvida, então, em muito mais do que campanhas militares: ela precisa
sobreviver aos conflitos extremamente traiçoeiros entre os servos da Dama. Num
mundo onde a magia está presente em cada esquina, toda rua esconde segredos
maravilhosos e perigos mortais.
Livro: A Companhia Negra
Editora: Record
Páginas: 308
Autor: Glen Cook
Classificação: ★★★★★ (4/5)
Chagas, Calado, Duende, Caolho,
Tom-Tom, Elmo, Corvo, Lindinha, Apanhador de Almas e dezenas de outros
personagens nos guiam pelas páginas escritas por Glen Cook. Por mares, terras,
invernos sem fim e batalhas forjadas no aço e banhadas no sangue.
A Companhia Negra, um exército
de mercenários, é o lugar onde o passado não importa e o futuro só lhes garante
brandir espadas e derrubar os inimigos. Fugindo de desilusões, solidão, fugindo
de memórias indesejadas, homens se alistam a Companhia para saírem apenas em um
caixão.
Todos temos nossos passados. Eu suspeito que nós os mantemos nebulosos não porque estamos nos escondendo de nossos ontens, mas porque achamos que projetaremos silhuetas mais românticas se rolarmos os olhos e soltarmos pistas sutis sobre lindas mulheres que permanecerão para sempre fora de nosso alcance.
Quando uma grande missão é
apresentada a esses mercenários, muito mais do que os olhos podem ver está em
jogo. Uma guerra sem fim e sem trégua se inicia para que o mal não seja despertado.
Ou será que o mal já está aqui?
Magias e feiticeiros, real e
fantástico, verdade ou mentira, profecias e promessas... Se puderes identificar
o bem e o mal, escolha o seu lado. Tem certeza que estás do lado certo?
E foi assim que a maior parte
da leitura se desenvolveu. Em meio a muitas batalhas, estratégias e feitiços,
ficou difícil definir quem eram os bonzinhos e quem eram os malvados. A cada
acontecimento e descoberta a balança pendia hora para a direita, hora para a
esquerda e no meio tínhamos a Companhia Negra.
Como Glen Cook é um
ex-fuzileiro da Marinha norte –americana, podem esperar por cenários incríveis
e grandes estratégias de batalha, assim como um grande senso de humor. No
início estranhei um pouco a obra, muito provavelmente por não ser o tipo de
livro que costumo ler, mas em muitos aspectos valeu a pena ter me arriscado,
parece estranho dizer, mas ri muito com a história.
Ouvi um ruído no mato, virei a cabeça, dei de cara com uma cobra. Ela tinha cara de gente. Comecei a gritar, então reconheço o sorriso tolo.Caolho. Sua cara feia em miniatura, mas com ambos os olhos e sem um chapéu molengo em cima. A cobra deu uma risadinha, piscou e deslizou sobre o meu peito.-Lá vamos nós de novo-murmurei e me sentei para assistir.
Em um momento em que demonstrar preocupação com um companheiro
de armas era proibido, um sinal de fraqueza, a lealdade estava impregnada em
cada poro, em cada atitude dos mercenários. Nenhum deles diria, mas todos
consideravam os homens da Companhia sua única família e como tal,
silenciosamente, protegiam as costas uns dos outros.
Não houve pressa para recebê-lo. As regras pedem uma aparência de tranquilidade, que a gente finja que as tripas não estão emaranhadas de preocupação. Portanto, os homens espiam de esconderijos a chegada, se perguntando do destino dos irmãos que foram caçar. Alguém morto? Alguém gravemente ferido? Nós conhecemos um ao outro melhor do que nossos parentes de sangue. Lutamos lado a lado por anos. Nem todos eram amigos, mas eram família. A única família que se tinha.
Bjos e até...







