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[RESENHA] Sua voz dentro de mim - Emma Forrest

Por: Mayumi
Aos 22 anos, a jornalista, escritora e roteirista Emma Forrest parecia levar uma vida maravilhosa: havia deixado a casa dos pais em Londres, cidade onde foi criada, para morar em Nova York, tinha um contrato com o jornal The Guardian e estava prestes a publicar seu primeiro livro. Mas, por trás da aparência bem-sucedida, havia uma jovem com sérios problemas psiquiátricos, que se cortava com gilete, sofria de bulimia e era extremamente autodestrutiva. Em Sua voz dentro de mim, Emma apresenta suas memórias, sem medo de expor o lado mais escuro que guarda dentro de si.
O livro começa com a autora descrevendo sua obsessão pelo quadro “Ofélia”, de Millais, em exposição na Galeria Tate, em Londres. Aos 13 anos, Emma passava as tardes observando a pintura, que retrata a namorada suicida de Hamlet, personagem da obra de Shakespeare. Conforme lista outras de suas peculiaridades, bem como alguns aspectos curiosos de sua família, Emma direciona os leitores para a conclusão a que ela mesma chegou quando morava em Nova York: havia cruzado a fronteira que separa os excêntricos dos maníaco-depressivos.
Ao chegar ao ponto em que não sentia quase nada, somente dor e tristeza, Emma começa a frequentar o consultório do psiquiatra a quem se refere como Dr. R. Ainda assim, após algumas sessões, ela tenta o suicídio e vai parar na emergência de um hospital. Levada pela mãe para terminar de se tratar na Inglaterra, a autora continua a ver o Dr. R quando volta aos Estados Unidos. Durante oito anos, ela é paciente dele, que tem papel fundamental em sua recuperação. Quando tudo parecia bem – as visitas ao Dr. R tinham se tornado esporádicas e ela achava que havia encontrado o amor de sua vida –, a notícia da morte do médico cai como uma bomba e pode ameaçar seu progresso.
Mas Sua voz dentro de mim também fala dos relacionamentos amorosos de Emma. Um deles, em especial, chama a atenção: o namoro com o ator Colin Farrell, cujo nome não é citado no livro. Ela se refere a ele como seu “Marido Cigano”, ou simplesmente MC, e revela que se trata de uma estrela do cinema. Os dois ficaram juntos durante cerca de um ano, viveram uma história intensa e chegaram a fazer planos de ter um filho, mas Farrell decidiu botar um ponto final no caso, tempos depois da morte do Dr. R. Sem o psiquiatra para apoiá-la, Emma terá que reunir forças para superar sozinha mais essa perda.
Apesar de toda a dor e do mergulho profundo na depressão e na autodestruição que permeiam o livro, Emma Forrest consegue explorar a beleza do amor e falar de superação ao longo das páginas. De quebra, ela ainda faz refletir sobre a relação que temos com nós mesmos. Em 2013, Sua voz dentro de mim deve chegar às telas do cinema, com a atriz Emma Watson no papel de Emma e o ator Stanley Tucci como o Dr. R.


Livro: Sua voz dentro de mim
Editora: Rocco
Páginas: 192
Editora: Rocco
Classificação: ★★★ (5/5)

Me interessei por Sua voz dentro de mim pela sinopse que vi na página do facebook da editora Rocco e fiquei instantaneamente louca pelo livro.
Ele é um livro de memórias sobre Emma Forrest, uma grande jornalista britânica, além de escritora e roteirista. 
Peço desculpas porque sei que esta resenha não vai sair lá uma das melhores, principalmente se tratando de uma autobiografia e da qual não se há história a contar, e sim meu ponto de vista com um certo vislumbre da história.
Emma Forrest é sem dúvida umas das pessoas mais interessantes e brilhantes que já vi na vida. Sem dúvida a mais louca também. Seu livro é narrado de uma forma extramente confusa e louca, pulando partes, voltando para outras partes, sem pé nem cabeça, fazendo inúmeras comparações que eu sinceramente não entendi, mas quando você engata no ritmo certo e para de tentar achar sentido na escrita de Emma, você passa a entender os acontecimentos e vê como essa escritora é completamente apaixonante.  
Uma mulher que já aos 12 anos orava pedindo para morrer, com um instinto suicida e com uma família amorosa e sempre unida, apesar de ser completamente excêntrica também.
O livro é extremamente engraçado, triste e angustiante. Quase dá para tocar na tristeza que Emma sente, e sinceramente enquanto lia sua vida nessas páginas quase quis entrar no livro, voltar no tempo e ser uma amiga dela que pudesse ajuda-la realmente, porque durante a história parece que ninguém além de sua família e de seu terapeuta falava coisas boas para ela ou tentava tira-la do poço de depressão em que ela esteve.
Emma é uma mulher muito inteligente, excêntrica, divertida, depressiva e autodestrutiva. Apesar de já aos 22 anos estar morando em Nova York e escrevendo sobre música para o jornal inglês the Guardian, ela estava longe de estar bem, se cortava sempre que acontecia algo ruim em sua vida, sentia prazer em se autoflagelar, se cortava em praticamente todas as partes do corpo, chegando até a machucar o próprio rosto, além de ter bulimia havia anos e tentar o suicídio algumas vezes.
Todos os seus relacionamentos eram péssimos e ela sofria um ciclo de homens ruins que entravam e saiam de sua vida só a machucando cada vez mais, fazendo-a se afogar na angustia, além de já ter sido abusada sexualmente quando adolescente.
Ela fez o livro para dar  fim a uma fase incrivelmente ruim e cheia de altos e baixos de sua vida, para encerrar a dor que foi a morte de seu terapeuta, aquele que tirou Emma da pior fase de toda a sua vida e á acompanhou durante oito anos, até que ela finalmente se curasse.
Emma é uma mulher extremamente interessante, o modo como pensa, age e sente é incrível e, acho que como leitora peguei um pouco de sua loucura para levar para o meu dia-a-dia também. 
A vida de Emma em seu livro passa muito rápido e sinceramente gostaria de um final melhor para o livro. Ela fala que está com alguém, mas não diz nada sobre seu estado atual ou sobre finalmente ter encontrado o amor. Mas apesar disso, li que ela atualmente está casada e esperando um bebê, li sobre isso em um site enquanto navegava no google para saber mais sobre sua vida.


Capas pelo mundo:




O leitor leigo, certamente, como o dr.R. antes dele, diria que os homens, e a buscar por eles, estão fortemente entrelaçados com minha saúde mental. Eu alegaria, em minha defesa, que o problema de ser monógama serial é que não existe ninguém por acaso insignificante: todo mundo com quem você dorme realmente significa alguma coisa, merece ser mencionado em seu registro publico. Página 78.
"Que se foda! Não quero outro homem nunca mais na minha cama. Oque eu quero mesmo é um gato". Página 79.
Estou falando com o vento. Procurando consolo num gato. Vendo presságios no acaso. Página 140.
Todos nós representamos. É oque fazemos com os outros o tempo todo, propositalmente ou não. É um jeito de falar de nós mesmos na esperança de sermos reconhecidos como o que gostaríamos de ser. Página 147

[RESENHA] Cicatrizes

Por: Eduardo Costa



Em 'Cicatrizes', o autor e ilustrador David Small expõe momentos dolorosos de sua infância e juventude. Como um drama kafkiano, as imagens desta graphic novel trazem, uma a uma, o retrato da vida difícil que David - uma criança extremamente criativa e talentosa - suportou por ter sido vítima da frustração e da raiva dos seus próprios pais. 

Livro: Cicatrizes
Autor: David Small

Editora: Leya Cult
Páginas: 336
Ano: 2010
Classificação: ★★★ (5/5)

Por Edu.

E aí, pessoal? Tudo bem?

Não sei ainda se Cicatrizes é uma HQ autobiográfica tristemente aterradora ou aterradoramente triste. No entanto, a única certeza que tenho é que, de uma forma ou de outra, é uma história extremamente tocante. A autobiografia tem não só
o peso da história em si a seu favor, nem só a absurdamente linda arte de Small, mas também é brilhantemente conduzida. Ela nos insere no mundo cinza, triste e silencioso da vida de David Small, um jovem de família desestruturada, que quase perde a voz e tem de aprender a lidar com seu mundo sem cor (e sem voz).

O próprio título "
Cicatrizes" tem múltiplas conotações. Ela refere-se, obviamente, às cicatrizes advindas do procedimento cirurgico que, por pouco, não lhe tira a capacidade de falar. No entanto, mais do que isso, as cicatrizes referem-se às cicatrizes emocionais, vindas de todo o peso que o pequeno David tem que carregar. Sua mãe, mal humorada e carrancuda, que parece pouco se importar com o filho; seu pai, um renomado radiologista e de paternidade indiferente, mais preocupado com a carreira; o irmão, que parece não estar ali... Todas são figuras com suas próprias "linguagens" silenciosas, apáticas ao jovem David, mas que compõem seu mundo cinzento.

A narrativa de Small é essencialmente gráfica. Páginas e mais páginas passam sem uma palavra sequer, relegando às imagens a responsabilidade de contar a tragetória da triste e solitária infância do autor. O silêncio faz parte da narrativa de David Small (o autor) e do mundo do jovem David (o personagem), e terminia compondo a própria obra, se tornando um elemento fundamental da mesma.


Tudo em Cicatrizes nos traz uma sensação desesperadora, angustiante. Os tons de cinza, a arte impecável (simples, mas muito sofisticada), as sequências narrativas, os cenários vazios ou pouco detalhados,
o silêncio aterrador - seja pela falta de diálogo do personagem com a família (em todos os aspectos), seja após quase perder a voz - enfim, tudo nos imerge no mundo de David.


A arte de Small, inclusive, é impressionante: com tons perfeitos, traços limpos e sutis, pinceladas propositalmente irregulares, a maestria no uso do pincel... Cada quadrinho, em cada, página, tem um sentido em si mesmo, como se Small quisesse não apenas contar sua história por quadros, mas ilustrá-la, no mais completo dos sentidos. Cabe, inclusive, lembrar que David Small é ilustrador de livros infantis por profissão, e apenas se aventura em alguns trabalhos com quadrinhos (embora aqui demonstre maestria na Nona Arte).

De toda forma, não sei bem explicar minha experiência ao ler a obra. É tudo tão triste, tão  solitário, tão dolorido... Simplesmente tocante. Cicatrizes é de fato uma obra difícil de definir ou criticar, justamente por ser uma viagem  extremamente pessoal, para os leitores e especialmente para o autor. Uma leitura que vale muito, muito a pena.

É isso aí, galera. 
Grande abraço a todos e boas leituras.

OBS¹: Há tempos não lia nada tão dramático e intenso... Fiz a primeira leitura em uns 40 minutos, e logo em seguida fiz uma nova leitura de 3 horas... Apenas saboeando a arte e tudo que ela transmite da história de David Small.


OBS²: Depois da leitura, dei um abraço no meu pai, na minha mãe e na minha irmã. Não poderia ser mais grato pela família que tenho e ao ver famílias como a de David (que não são poucas, apesar de seu drama se dar em outra época), fico ainda mais.


OBS³:
Ganhei esse livro do meu amor, minha namorada, Lilian Rosa. Obrigado pelo lindo presente, amor.

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