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[RESENHA] O Inverno das Fadas

Por: Mayumi

A atração pode ser fatal. Mas a fantasia faz parte do encantamento.

Existem pessoas normais em nosso planeta. Homens e mulheres simples que nascem e morrem sem deixar uma marca muito grande ou mesmo significativa na humanidade. Mas existem outros que possuem talentos inexplicáveis. Um brilho próprio capaz de tocar gerações. Como eles conseguem ter esses dons? De onde vem a inspiração para criar trabalho maravilhosos? São cantores com vozes de anjos, artistas com mãos de criadores e escritores imortais. Existe uma explicação para isso. Sophia é uma Leanan Sídhe, uma fada-amante, considerada musa para humanos talentosos. Ela é capaz de seduzir e inspirar um homem a escrever um best-seller ou criar uma canção para se tornar um hit mundial. A fada dá o poder para que a pessoa se torne uma estrela, um verdadeiro ícone, ao mesmo tempo em que se aproveita da energia do escolhido para alimentar-se. Causando loucura. E MORTE.

Livro: O Inverno das fadas.
Autora: Carolina Munhoz.
Páginas: 304
Editora: Fantasy - Casa da palavra
Classificação: 


Resenha:
Sophia Coldheart é uma fada da dimensão de Fairyland, mais especificamente uma Leanan Sídhe, uma fada que inspira seres humanos com talentos para chegarem ao auge de suas carreiras e o auge de seu potencial, porém isso tem um preço, ao mesmo tempo ela se alimenta de sua energia até não sobrar mais nada de sua alma e depois ela abandona suas vitimas que acabam se suicidando. 
Não que seja um fardo fácil de se aguentar, ser uma Leanan Sidhe significa seduzir e conquistar humanos e faze-los se apaixonarem, ser amante deles e depois acabar simplesmente perdendo-os para a morte por causa de sua própria natureza. É assim que elas vivem, e se apaixonar para uma Sídhe significa a morte. Elas não podem ter qualquer envolvimento amoroso sem o perigo de matar alguém, mesmo sendo os de sua própria raça. É um fardo pesado oque elas carregam.
A personagem principal é uma fada que já tivera inúmeras vitimas, não se orgulha do que faz e tem o coração gelado. Neta do governador Annwn, ela é filha de uma Leanan Sídhe com um elfo, e é uma fada muito poderosa e bela.
A história começa a ser contada no ano novo das fadas, em Samhain. A fada recebe o chamado de um jovem poeta e escritor, mas estranhamente ela sente que á algo de diferente no rapaz, e depois de decidir ir á terra seduzi-lo ela acaba se surpreendendo.
William Bass é muito diferente de todas os humanos que ela havia se relacionado, ele tem certo poder sobre ela e a deixa realmente encantada, faz Sophia perder o controle sobre a situação.
Sophia acaba se apaixonando pelo humano que parece ter algo a mais, algo diferente do resto de suas caças, e começa a inspira-lo e a sugar sua energia aos poucos. Eles passam momentos juntos e iniciam um relacionamento, mas Sophia sabe bem como as coisas vão acabar.
Ela começa a perder o controle da situação, seu avô e seus amigos tentam impedi-la de continuar com o relacionamento que pode acabar com sua vida eterna, mas ela acaba por se entregar ao amor e começa uma corrida para encontrar um jeito de salvar a vida de seu amado, que já começa a esvair-se do corpo.
Apesar de encontrar uma forma de salvar a vida de Willian, essa única forma implica muitas coisas e Willian não aceita, a partir daí a fada começa uma corrida para salvar a vida de seu amado, lutar contra a morte, uma entidade do mal que quer sua alma imortal e muitas outras surpresas que a autora preparou para o final do livro. Leiam O inverno das fadas e aventurem-se nesse mundo encantador e perigoso.


Trecho:
“ Minha musa, com quem tanto sonho, mas nunca encontro.
Como é lindo olhá-la dormindo, serena, sem se preocupar com este vasto mundo.
Minha menina sonhadora, mas guerreira, que enfrenta as dificuldades como líder, mas é simples o bastante para andar descalça no barro molhado, cometer loucuras juvenis, ser notada por homens velhos, sentir a chuva bater na face, comer um bolo com muita cobertura e se apaixonar por um completo estranho. Minha santa que assusta, mas segue em frente, ainda que o desconhecido lhe cause medo. Sua sinceridade nas palavras e gestos me envolve todos os dias.
Vejo você tão perto, formosa, deitada na cama, cabelos loiros brilhantes esparramados no travesseiro branco. Tão sensual, com um pequeno brinco de pérola a brilhar. Parece até pintura, de tão graciosa. Poderia ficar horas analisando a perfeição devina.
Porém, está tão distante, em outro lugar, outra dimensão, que não consigo penetrar, a fim de, finalmente, chegar perto de um ser tão encantador como você. Como gostaria de estar em seus sonhos, nas lindas passagens que imagino ler aquele conto de amor eterno, que nos faz esquecer da vida e me traz mais perto de ti.
Você, minha amada, é o tipo de mulher que os homens gostariam de carregar no colo. Isso é a coisa que mais quero na minha vida. Quando irá me permitir realizar tal desejo?

Critica: 

 Carolina Munhoz foi tradutora da Alyson Noel no bate papo da bienal do livro no estande do Submarino, e quando vi seu livro no estande da Leya achei a capa do livro bonita e chamativa, mas com tanto lançamento no mercado literário e com a loucura do evento acabei nem dando uma chance para a obra. Depois quando li a sinopse do livro achei a história interessante, até porque já havia lido um conto meio parecido com a história da Carolina.
O livro apesar de ser nacional não parece em nada com qualquer livro que eu já tenha lido, por isso não tive preconceito contra a obra apesar de ser nacional, realmente dei uma chance para ver oque achava de O inverno das fadas, que é um livro que divide opiniões.
E quanto à obra, vamos lá. Acho interessante esse detalhe das obras dela e do Rafael Dracon, de sempre atribuir referências relacionados à cultura pop e rock. A introdução do livro de O inverno das fadas já deixa o leitor com muitas expectativas em relação à obra, o titulo dos capítulos são nomes ou trechos de músicas de diferentes gêneros de cantores e bandas, dez de Adele, Linkin Park até Adam Lambert. Há a letra em inglês e a tradução embaixo. No final da obra nos agradecimentos conhecemos um pouco mais da história da autora, vemos a tradução de algumas músicas que aparecem durante a história e vemos o título das músicas e dos cantores dos capítulos.
Carolina Munhoz escreve muito bem, a história flui e não parece nem um pouco que quem escreveu o livro foi uma brasileira, não que eu tenha preconceito por obras nacionais. A história da personagem principal tinha tudo para ser ótima, mas acho que Carolina pecou em alguns sentidos. Primeiro acho que ela tinha tantas ideias boas para o livro que acabou por apressar a história e nos pontos mais quentes acaba deixando fria e sem os sentimentos que ela queria transmitir para o leitor. Além disso não dá para sentir o amor dos dois personagens principais.  A história que tinha a intenção de ser para adolescentes acabou por ser mais adulto pela forma explicita e meio bruta que praticamente todos os personagens pensam, o livro tem cenas de sexo, não são muitas mais elas existem, e apesar de não ser um livro erótico são explicitas e bem descritivas. Além disso, tem até uma cena de um beijo entre duas mulheres. Achei importante colocar estes detalhes na resenha, mas eu particularmente gostei destes detalhes da autora, que mostrou ter a mente bem aberta ao escrever sua história e usou muito sua criatividade.
Apesar  de tudo, ela soube como escrever um grande final e os últimos capítulos da história são maravilhosos, surpreendentes e com grandes reviravoltas. 

Autora:

Carolina Munhóz (23 anos) é jornalista e autora de livros de fantasia Young Adult.
CAROLINA MUNHÓZ é jornalista e romancista, além de integrante do Potterish, um dos maiores sites de Harry Potter do mundo. A autora foi eleita como melhor escritora jovem de 2011 pelo Prêmio Jovem Brasileiro.
Aos 11 anos aguardou sua carta para Hogwarts, mas ela nunca chegou. A partir dos 18 se aventurou por diversos países como Inglaterra, França, Itália, Suíça e EUA, onde teve a oportunidade de conhecer os atores de Harry Potter.
Suas aventuras chamaram a atenção de meios de comunicação como Folha de São Paulo, Estadão, TV Cultura e Disney Channel. Foi destaque da Revista Época, ao lado das escritoras Cassandra Clare e Alexandra Adornetto e da rádio Record de Londres.
Atualmente é escritora em tempo integral e viciada em redes sociais.



[RESENHA] Cicatrizes

Por: Eduardo Costa



Em 'Cicatrizes', o autor e ilustrador David Small expõe momentos dolorosos de sua infância e juventude. Como um drama kafkiano, as imagens desta graphic novel trazem, uma a uma, o retrato da vida difícil que David - uma criança extremamente criativa e talentosa - suportou por ter sido vítima da frustração e da raiva dos seus próprios pais. 

Livro: Cicatrizes
Autor: David Small

Editora: Leya Cult
Páginas: 336
Ano: 2010
Classificação: ★★★★★ (5/5)

Por Edu.

E aí, pessoal? Tudo bem?

Não sei ainda se Cicatrizes é uma HQ autobiográfica tristemente aterradora ou aterradoramente triste. No entanto, a única certeza que tenho é que, de uma forma ou de outra, é uma história extremamente tocante. A autobiografia tem não só
o peso da história em si a seu favor, nem só a absurdamente linda arte de Small, mas também é brilhantemente conduzida. Ela nos insere no mundo cinza, triste e silencioso da vida de David Small, um jovem de família desestruturada, que quase perde a voz e tem de aprender a lidar com seu mundo sem cor (e sem voz).

O próprio título "
Cicatrizes" tem múltiplas conotações. Ela refere-se, obviamente, às cicatrizes advindas do procedimento cirurgico que, por pouco, não lhe tira a capacidade de falar. No entanto, mais do que isso, as cicatrizes referem-se às cicatrizes emocionais, vindas de todo o peso que o pequeno David tem que carregar. Sua mãe, mal humorada e carrancuda, que parece pouco se importar com o filho; seu pai, um renomado radiologista e de paternidade indiferente, mais preocupado com a carreira; o irmão, que parece não estar ali... Todas são figuras com suas próprias "linguagens" silenciosas, apáticas ao jovem David, mas que compõem seu mundo cinzento.

A narrativa de Small é essencialmente gráfica. Páginas e mais páginas passam sem uma palavra sequer, relegando às imagens a responsabilidade de contar a tragetória da triste e solitária infância do autor. O silêncio faz parte da narrativa de David Small (o autor) e do mundo do jovem David (o personagem), e terminia compondo a própria obra, se tornando um elemento fundamental da mesma.


Tudo em Cicatrizes nos traz uma sensação desesperadora, angustiante. Os tons de cinza, a arte impecável (simples, mas muito sofisticada), as sequências narrativas, os cenários vazios ou pouco detalhados,
o silêncio aterrador - seja pela falta de diálogo do personagem com a família (em todos os aspectos), seja após quase perder a voz - enfim, tudo nos imerge no mundo de David.


A arte de Small, inclusive, é impressionante: com tons perfeitos, traços limpos e sutis, pinceladas propositalmente irregulares, a maestria no uso do pincel... Cada quadrinho, em cada, página, tem um sentido em si mesmo, como se Small quisesse não apenas contar sua história por quadros, mas ilustrá-la, no mais completo dos sentidos. Cabe, inclusive, lembrar que David Small é ilustrador de livros infantis por profissão, e apenas se aventura em alguns trabalhos com quadrinhos (embora aqui demonstre maestria na Nona Arte).

De toda forma, não sei bem explicar minha experiência ao ler a obra. É tudo tão triste, tão  solitário, tão dolorido... Simplesmente tocante. Cicatrizes é de fato uma obra difícil de definir ou criticar, justamente por ser uma viagem  extremamente pessoal, para os leitores e especialmente para o autor. Uma leitura que vale muito, muito a pena.

É isso aí, galera. 
Grande abraço a todos e boas leituras.

OBS¹: Há tempos não lia nada tão dramático e intenso... Fiz a primeira leitura em uns 40 minutos, e logo em seguida fiz uma nova leitura de 3 horas... Apenas saboeando a arte e tudo que ela transmite da história de David Small.


OBS²: Depois da leitura, dei um abraço no meu pai, na minha mãe e na minha irmã. Não poderia ser mais grato pela família que tenho e ao ver famílias como a de David (que não são poucas, apesar de seu drama se dar em outra época), fico ainda mais.


OBS³:
Ganhei esse livro do meu amor, minha namorada, Lilian Rosa. Obrigado pelo lindo presente, amor.

[RESENHA] Fios de Prata: Reconstruindo Sandman

Por: Eduardo Costa


Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Livro: “Fios de Prata – Reconstruindo Sandman”
Autor: Raphael Draccon
Editora: Leya
Páginas: 352
Classificação: ★★★★★ (4,5/5)


Salve-salve, galera! Tudo bem?

Primeiro, permita-me me apresentar: eu sou o Sonho. Ops, livro errado... rsrs. Brincadeira: me chamo Eduardo Costa, e (até que me expulsem) sou o novo integrante da equipe do “Stealing Books”! Não sou lá muito bom com apresentações, então acho que não tenho muito para falar, mas vou tentar.
Tenho 21 anos, sou arte educador, formado em História, e morador do Rio de Janeiro (minha querida cidade). Entrei para a turma do blog com algumas propostas meio loucas, outras ambiciosas, mas todas para melhorar o blog (em breve, site) ainda mais para você, querido leitor =D
Uma das minhas propostas (quase eleitoral... rsrs) para o Stealing Books foi ampliação do nosso acervo. Significa, dentre outras coisas, que vou trazer para vocês muito do meu mundinho nerd, especialmente no que tange aos quadrinhos e ao cinema. Sou absolutamente apaixonado por Histórias em Quadrinhos (HQs), que inclusive me arrisco a produzir e a estudar academicamente, e com o crescimento do mercado editorial brasileiro, já não dá mais para ignorá-los, pois eles vieram para ficar (felizmente), bem como vemos a crescente onda de superproduções cinematográficas, e outras nem tão “super”, que merecem nossa atenção. 
Mas, enfim, estou aqui, a disposição de vocês, galera, de peito aberto. Meu contato é eduardocosta.cultura@yahoo.com.br e podem me contatar sempre que quiserem ou puderem. Comentem também minhas postagens, pois eu tenho uma escrita meio acadêmica, um tanto diferente das que se vê nos outros blogs literários, então posso demorar um pouco a “me encontrar”. Logo, é com o feedback de vocês que saberei onde melhorar, então conto com vocês, hein ;D
E para abrir com chave de ouro minha estreia por aqui, apresento abaixo a resenha de um livro incrível: “Fios de Prata: Redescobrindo Sandman”, de Raphael Draccon.
Enjoy!



“Fios de Prata: Redescobrindo Sandman” é, sem dúvida, um livro especial. Mais do que qualquer outra qualidade a ser apresentada sobre a obra, a mais importante é sua temática: o sonho, e numa concepção que vai muito além das nossas noites de sono. De uma narrativa fácil, fluída e gostosa, mas sem deixar de trazer o “peso” necessário à densa trama que se desenrola, o livro é um raro exemplar de qualidade e competência da literatura fantástica brasileira, na qual fiquei muito surpreso e contente!

O livro já se apresenta fugindo de estereótipos. Seus protagonistas não são “pessoas comuns”, que de súbito se tornam “pessoas especiais”: são dois dos atletas brasileiros mais importantes do mundo! O protagonista, Mickael (ou “Allejo”) é o verdadeiro herói, no mesmo perfil traçado por Joseph Campbell em seus livros sobre mitologia e a sua “jornada do herói”. A trama se desenrola bem com os dois personagens principais, Allejo e Ariana, apesar de achar o seu romance – um dos pilares da obra - um pouco corrido demais. Algumas outras coisas também me incomodaram um pouco (e que não posso revelar por serem spoilers). As reviravoltas do meio para o final do livro também são muito boas, mas, em algum momento, já soam meio cansativas (algumas, até, dispensáveis). No entanto, nada que prejudique a obra em seu todo.

A linguagem utilizada por Draccon na obra também é outro diferencial. Não é tão simples, como segue a “nova onda” da literatura fantástica (visando um público mais jovem), mas também não é nada rebuscada. Pelo contrário: é clara, mas dotada de um subjetivismo lírico que dá um toque a mais de qualidade do texto, que já é muito bom.  Claro que toda essa escrita poética serviu, e muito bem, para constituir mais ricamente o universo onírico do Sonhar.

O livro também conta com recursos gráficos e narrativos bastante interessantes. Conforme a trama se desenvolve e sua complexidade aumenta, o autor opta por utilizar de flashbacks, onde em frases curtas citadas em momentos-chave te fazem lembrar fatos cruciais do contexto da obra. A utilização de caixa alta, itálicos e negritos para enfatizar certas frases, onomatopeias e como caracterização de alguns personagens também é muito legal. Mesmo a estética da página é utilizada por Draccon para enriquecer a obra, demonstrando sua propriedade no manejo de tais recursos para a construção de uma incrível narrativa.

E por falar em construção de um universo, é impossível não ressaltar a qualidade da pesquisa realizada por Draccon. Durante a leitura percebe-se um minucioso trabalho sobre mitologias, filosofias, arquétipos, religiões, e tudo mais. Não só que tange aos aspectos sociais de diversos povos e culturas, mas também no que se referente à própria lógica que rege seu mundo onírico. Está tudo lá: de “A Divina Comédia”, de Dante, até “Sandman”, de Neil Gaiman, passando por outras obras, como “O Senhor dos Anéis” de Tolkien, “A Odisseia” de Homero, “Paraíso Perdido” de John Milton, entre outras.  Acredite: até o mundo midiático está muito bem retratado lá, através de notícias e acontecimentos verídicos, que o autor usa (brilhantemente) de alimento para a consolidação de sua história, dando um realismo quase tenso a certas partes... rsrs.

 Atrevo-me a dizer que não só filosofias, culturas e aspectos sociológicos foram levantados para a criação da trama, mas também se bebeu bastante do universo esotérico e espiritualista. No entanto, isso é só mais um aspecto positivo: serviu para enriquecer ainda mais a trama e o universo criado para ela. Além dessas, o autor faz também um ótimo trabalho, utilizando de várias referências da “cultura pop/nerd” durante toda a obra, (que me deixaram muito contente, admito... rsrs). Desde uma discussão sobre o porquê de O Senhor dos Anéis – O retorno do Rei ser um filme cansativo, até comparações com o vilão Mumm-Rá (de Thundercats) e a séries aclamadas, como The Walking Dead. Ótimas sacadas que valeram boas risadas e justas homenagens por parte do autor.

No entanto, o mais interessante de tudo isso é como Draccon dá uma nova roupagem a toda essa “bagagem”. Ele não tenta construir um novo universo fantástico a partir de arquétipos e outras figuras mitológicas, mas constrói seu próprio universo, fazendo releituras e dando novas roupagens às referências de diversos mundos e universos (especialmente os atrelados à cultura nerd!). É justamente aí que entra o elemento “fantástico” de sua obra, e também o  que a torna tão especial. A ambição, o amor e os sonhos – componentes fundamentais do fantástico - lá estão.

Esta é uma resenha lúcida. Nunca tivera antes contato com a obra de Draccon, mas admito que o cara ganhou mais um leitor. Fiquei surpreso em perceber o quão bem escrita, “amarrada” e envolvente era a história. Como disse lá no começo, um livro exemplar de literatura fantástica, e que representa muito bem o que há de melhor na área, em termos de produção literária brasileira. O Brasil, os nerds de plantão (like me) e os aficionados em fantasia agradecem, Draccon. Recomendadíssimo.

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